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Trabalhador com nĂ­vel superior ganha 140% a mais
AlĂ©m dos salĂĄrios maiores, profissionais com ensino superior tĂȘm taxa de desemprego menor
25/09/2017

Com um diploma de nível superior na mão, um trabalhador brasileiro ganha, em média, 140% a mais do que o profissional que parou os estudos no ensino médio. Em um exemplo simples, isso quer dizer que, se um trabalhador com nível médio ganha R$ 1.000, outro com curso superior ganharå R$ 2.400.

A diferença salarial média entre o brasileiro com e sem diploma é a maior entre os 40 países analisados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento EconÎmico).

O estudo sĂł encontrou diferenças salariais acima de 100% na AmĂ©rica Latina. AlĂ©m do Brasil, Chile, ColĂŽmbia, Costa Rica e MĂ©xico pagam mais do que o dobro aos seus graduados. Na outra ponta da lista, SuĂ©cia, EstĂŽnia e Noruega tĂȘm diferenças menores ou iguais a 25%. Considerando a mĂ©dia dos 21 paĂ­ses da OCDE, que reĂșne naçÔes ricas e desenvolvidas, essa diferença salarial vem caindo nos Ășltimos dez anos e hoje representa 50% entre os com e sem graduação.

Ao analisar o fenĂŽmeno, a OCDE destaca que, por aqui, apenas 15% das pessoas entre 25 e 64 anos terminaram a faculdade. É menos do que a metade da mĂ©dia global (37%), e tambĂ©m abaixo do verificado em Argentina, ColĂŽmbia e Chile - todos na casa dos 22%.

Uma lupa no nosso mapa revela ainda grandes distorçÔes regionais: enquanto 35% da população do Distrito Federal entre 25 e 37 anos tĂȘm ensino superior, por exemplo, no MaranhĂŁo, a taxa cai para 7%. `Mesmo em outros paĂ­ses grandes, como RĂșssia ou Estados Unidos, a diferença entre os extremos nĂŁo passa de trĂȘs vezes`, diz a entidade no relatĂłrio.

O estudo também destaca o fato de, no Brasil, 75% dos estudantes universitårios estarem em instituiçÔes privadas, enquanto a média mundial é 33%. `Pode ser um problema se não hå alternativas suficientes de financiamento como empréstimos ou bolsas`, alerta a instituição, sediada em Paris.

Para o professor de economia do trabalho da UnB (Universidade de Brasília) Carlos Alberto Ramos, hå no Brasil dois movimentos distintos: a valorização do diploma de ensino superior e `uma deterioração do diploma de ensino médio, que cada vez mais vale menos`.

Para o pesquisador, uma alternativa para esse cenĂĄrio Ă© o investimento em ensino tĂ©cnico – outra modalidade na qual o Brasil se sai mal, segundo o estudo. No paĂ­s, apenas 9% dos estudantes de ensino mĂ©dio recebem formação tĂ©cnica – a mĂ©dia dos paĂ­ses da OCDE Ă© de 46%.

`AlĂ©m da questĂŁo do acesso, tem o fator cultural. O brasileiro que pode estudar vĂȘ prestĂ­gio em carreiras ligadas ao escritĂłrio, Ă  administração. NinguĂ©m quer estudar para virar mecĂąnico`, diz o professor.

O relatĂłrio tambĂ©m mostra a disparidade salarial em função do gĂȘnero: mulheres de 25 a 64 anos recebem, em mĂ©dia, 65% dos rendimentos aferidos entre os homens - tanto as com nĂ­vel mĂ©dio como as com nĂ­vel superior completo. Entre os paĂ­ses da OCDE, a mĂ©dia Ă© de 74% para nĂ­vel superior e de 79% para ensino mĂ©dio.

Taxa de desemprego Ă© menor
AlĂ©m dos salĂĄrios maiores, profissionais com ensino superior tĂȘm taxa de desemprego menor – 40% inferior Ă  dos profissionais de nĂ­vel mĂ©dio.

Embora o levantamento da OCDE leve em conta nĂșmeros de 2015, dados mais atuais mostram cenĂĄrio similar. Levantamento realizado pelo jornal Folha de S.Paulo em agosto mostra que a taxa de desemprego entre os profissionais com ensino superior foi de 6,4% no segundo trimestre de 2017. Para aqueles com ensino mĂ©dio completo, a taxa Ă© de 14,6%.

Bruno Aragaki – Uol Educação