< >Jornal da Cidade – 29/07/2006
< >Grupo de professores e alunos faz diagnóstico sócio-econômico de familiares de detentos no projeto “Família de Presidiários".
< >Agudos – Um grupo de professores e alunos da Faculdade de Agudos (18 quilômetros de Bauru) estão desenvolvendo o projeto “Família de Presidiários” com o objetivo de fazer um diagnóstico socioeconômico de cerca de 500 famílias de detentos, a maioria de Bauru.
< >Segundo a socióloga Márcia Regina Vazzoler, coordenadora do projeto, a equipe de estudantes que fazem parte do estudo é formada por 15 pessoas da área de administração e pedagogia da Faculdade de Agudos (FAAG).
< >O projeto foi dividido em fases. Na primeira, de acordo com a socióloga, será feito um diagnóstico socioeconômico de 500 famílias de presidiários. Este diagnóstico deve mapear as condições de vidas dessas pessoas para, em seguida, como medida emergencial, direcionar a promoção social. Eles deverão receber uma cesta básica da Organização Não-Governamental (ONG) “Conselho da Comunidade”, de Bauru.
< >Numa segunda etapa serão desenvolvidos sub-projetos como a “Brinquedoteca no Presídio”, destinados às crianças de 3 a 9 anos que visitam os pais nas unidades penitenciárias além da “Formação do Cidadão e Geração de Renda”, que tem o objetivo de dar formação profissional às mulheres dos detentos através de cursos de capacitação.
< >Esses cursos são de customização de roupas, aproveitamento de alimentos, artesanato, informática, reciclagem de lixo, entre outros.
< >De acordo com Vazzoler, o projeto também vai atender familiares de presos dos municípios de Agudos, Arealva e Piratininga. Segundo a socióloga, dos 50 questionários que já foram aplicados até agora, dados preliminares constataram que o perfil comum dessas famílias é a baixa escolaridade de seus integrantes, assim como a pequena renda familiar, que fica abaixo dos R$ 50,00 ao mês.
< >O custo do projeto foi estimado em R$ 380 mil e a duração será de um ano. A socióloga comenta que o grupo aguarda a continuação dos trabalhos de campo após uma definição sobre a procedência dos recursos que devem bancar o projeto.
< >“O trabalho de campo nós estamos aguardando porque foi pedido auxílio em pesquisa para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Petrobras. Porque existe um custo disso. Caso (o recurso) não venha, a gente vai tentar fazer pela FAAG mesmo”, comenta.
< >A socióloga lembra que as pesquisas preliminares (que representam 10% do total previsto) constataram que o maior problema, em relação aos filhos dos presidiários, é com os jovens na faixa etária entre 10 e 16 anos. Segundo ela, muitos são analfabetos e não têm motivação para os estudos.
< >“Nos adolescentes é falta de interesse e motivação. As crianças, muitas vezes, ficam sozinhas em casa e esperam a mãe que geralmente sai para procurar emprego ou trabalhar como catadora de materiais recicláveis”, constata.
< >A pesquisa também aponta que o preconceito da sociedade em relação aos familiares que têm um ente preso é outro problema enfrentado pelas famílias.
< >A psicóloga ainda ressalta a dependência das famílias com relação ao pai que está preso. “Eles (os familiares) estão em uma situação precária porque o único provedor de renda é a pessoa que está presa e eles ficam totalmente descobertos”, conclui.
< >Davi Venturino