< >Jornal da Cidade – 30/12/2006 – Geral
< >Deficientes auditivos vão ter melhor atendimento dentro de empresas públicas, e possivelmente também nas privadas, em todo o País. O decreto 5626/05, que já está em vigor, obriga todas as empresas públicas federais, estaduais e municipais a capacitar, pelo menos, 5% dos empregados para o uso e interpretação da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Medida que se estende também para instituições particulares, segundo responsável por uma faculdade da região que disponibilizará curso de formação na área a partir de 2007.
A Libras foi reconhecida oficialmente como língua em 2002. Já a profissão de intérprete de Libras ganhou reconhecimento legal em 2005. Segundo Márcia Vazzoler, mantenedora da Faculdade de Agudos (Faag), no próximo ano empresas e instituições de ensino terão que contar com profissionais capacitados a repassar informações para deficientes auditivos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 5,7 milhões de brasileiros sofrem com problemas de surdez. Desse montante, cerca de 70 mil estão em fase escolar.
De acordo com Tânia Garrido, coordenadora do projeto Mãos que Falam, que desenvolve atividades artísticas com cerca de 20 jovens com problemas auditivos, a dificuldade de comunicação é um entrave para o desenvolvimentos dessas pessoas.
“Como eles não conseguem manter uma conversa, pois a maioria das pessoas não conhece a língua de sinais, a maioria evita sair de casa, optando pela reclusão”, revela a estudante de pedagogia que tem um filho com deficiência auditiva.
< >Divulgação da Língua
< >Na tarde de ontem, membros do projeto Mãos que Falam fizeram a apresentação de um coral de Libras no Grupo Nélson Paschoalotto. Os funcionários da empresa se reuniram no espaço cultural da empresa para acompanhar a interpretação de três músicas pelos jovens que participam do grupo.
O objetivo da empresa, ao trazer o coral de Libras, é divulgar a importância da inclusão social dos deficientes auditivos. “Além de apresentar o trabalho do projeto e o novo curso da universidade, a intenção é fazer com que nossos funcionários se atentem para a necessidade de inclusão social dessas pessoas”, afirma o proprietário da empresa, Nélson Paschoalotto.
O empresário considera importante a intenção do decreto que exige capacitação de funcionários para atender deficientes auditivos. “Hoje, falar inglês e espanhol é praticamente imprescindível. Com a Libras, vejo praticamente da mesma forma. A maioria das pessoas não tem contato direto com deficientes auditivos, por isso não se preocupa tanto com o tema”, diz.
< >Luiz Galano